Dr. Bernardo Kiertsman – Diretor Depto. Pediatria – ABRA/SP
Nós sabemos que a asma é uma doença inflamatória dos brônquios e esta inflamação diminui o diâmetro da via aérea, dificultando a passagem do ar.
Os sintomas são: tosse, falta de ar, chiado e aperto no peito. A Organização Mundial de Saúde avalia que aproximadamente 100 a 150 milhões de pessoas no mundo têm asma e este número vem aumentando.
A asma é um problema de saúde pública em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ocorre em todas as idades e todas as raças, entretanto é mais comum na infância.
É a doença crônica que mais causa falta escolar.
Vários são os fatores desencadeantes:
Alérgicos (poeira domiciliar, ácaros, fungos, polens, pêlo e saliva de animais); Infecção respiratória viral (resfriados comuns);
Irritantes (fumaça em geral e principalmente de cigarro, poluição do ar, aerossóis etc.);
Variação climática como exposição ao frio;
Alteração emocional;
Medicamentos (aspirina, antiinflamatório não hormonal, beta-bloqueadores); e exercícios.
Alguns pacientes asmáticos podem apresentar história familiar de asma e ou rinite. A asma é uma doença crônica e não tem cura, mas atualmente, com o maior conhecimento da doença e o desenvolvimento de novos medicamentos, temos condições de controlá-la quase na totalidade dos casos, através de um tratamento preventivo adequado, orientado pelo médico: boa higiene do ambiente físico, fisioterapia, uso adequado de medicamentos antiinflamatórios e/ou broncodilatadores, etc., proporcionando assim uma adequada qualidade de vida. Um dos erros mais freqüentes é que muitos destes pacientes somente são medicados durante as crises. Esta atitude seria o mesmo que entrar em uma casa que está pegando fogo, apagar o incêndio e sair sem consertar o cano de gás furado, não tenha dúvida, vai pegar fogo novamente.
O tratamento da asma é um programa de parceria do médico e o paciente e/ou seus familiares. Devemos orientar o paciente e/ ou seus familiares a identificar e evitar os fatores agravantes e desencadeantes, especialmente no ambiente domiciliar. Devemos educar e orientar o paciente e/ou seus familiares sobre sua doença para que possa entender o processo de inflamação e a broncoconstrição (estreitamento do brônquico), diferenciando os dois tipos de medicamento.
Os de alívio imediato, que são os brocodilatadores e os que agem na inflamação, os antiinflamatórios inalatórios para tratamento de manutenção.
Devemos ensinar o paciente a usar adequadamente a medicação.
O objetivo do tratamento profilático é fazer com que as crises diminuam em número, espaçando o período entre elas, diminuindo sua intensidade, maior facilidade de reversão e, com o passar do tempo, principalmente nas crianças, rareando em número, até como em muitos casos, desaparecerem.