A asma é uma doença crônica de etiologia multifatorial, na qual fatores orgânicos combinam-se a fatores ambientais e psicológicos, determinando o desencadeamento da doença.
Outro aspecto importante a ressaltar da doença é quanto ao curso, ou seja, a forma como a doença se manifesta. A asma apresenta um curso reincidente, alternando entre períodos de estabilidade e períodos de exacerbação dos sintomas e crises. Tal aspecto coloca tanto o paciente quanto a família em um constante estado de alerta e tensão, devido à incerteza de não saber quando acontecerá uma nova manifestação da doença.
Em decorrência dessas características, a prática clínica com pacientes e seus familiares demonstra uma dinâmica familiar permeada por sentimentos de medo, insegurança e impotência, sendo comuns, relatos de sofrimento, sobrecarga e desgaste emocional.
A asma, assim como toda doença crônica, exige um complexo processo de adaptação e neste contexto, a família tem papel fundamental no cuidado e no tratamento do paciente.
A forma como o sistema familiar compreende a doença e o tratamento, as suas atitudes diante dos sintomas e a maneira como ela se organiza para lidar com a tensão e os períodos de crise são determinantes para uma adaptação e manejo adequados à doença.
Neste sentido, quanto mais conhecimento, informação e compreensão a família possuir sobre a doença e sobre o tratamento, maior, também, será a possibilidade que ela terá para desenvolver estratégias de autocontrole e organizar mudanças no estilo de vida da família, de forma a atender as necessidades e limitações impostas pela doença e pela rotina do tratamento. Um exemplo é a avaliação do ambiente, com o objetivo de eliminar desencadeantes ou gatilhos de sintomas como: poeira doméstica, pelos de animais, fumaça de cigarro, poluição, pó de giz, odores fortes, entre outros.
As emoções também devem ser observadas e consideradas. Embora, seja a asma uma doença de vias respiratórias causada pela inflamação dos brônquios, sendo sua origem considerada alérgica, pode existir uma combinação de fatores emocionais aos sintomas específicos da doença, e neste caso, as emoções podem funcionar como gatilhos para o desencadeamento, manutenção e até mesmo agravamento da doença, dificultando o controle.
Como se pode observar, é fundamental a participação da família no cuidado e no tratamento do paciente, pois assim como a equipe de saúde, ela se constitui, também, como uma importante unidade de cuidado. Neste sentido, se faz necessário considerar no tratamento um plano de intervenção para as famílias, visando oferecer orientação, acolhimento às dúvidas, anseios e angústias para que ela possa desenvolver estratégias adequadas de adaptação às necessidades do paciente.
Fabiane Matias
Psicóloga Clínica e Hospitalar, Psicoterapeuta de Família